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Rodrigo Bondioli — Info
Comecei fazendo site no FrontPage, em 1997. Passei por algumas das maiores agências do país, fui head de design da Americanas.com e da Netshoes, construí um negócio que cresceu muito rápido e vi a pandemia fechar as portas dele. Tudo isso virou o que eu ofereço hoje: critério.
Senta que lá vem história
Dinheiro nunca sobrou lá em casa, mas arte tinha em todo canto. Minha avó era artista plástica, pintava e esculpia, e junto com a minha mãe derretia bijuteria no forno do quintal para vender em feira de artesanato. Minha mãe também fazia bonecas e abajures, e tocava piano tão bem que toda festa acabava com alguém pedindo para ela tocar Pink Floyd, mesmo ela morrendo de vergonha. Entre tios e primos, cada um tocava alguma coisa, e eu cresci achando normal passar o dia criando.
Só que na escola ninguém dava nota pra isso. Eu sentava no fundão desenhando o Roger Rabbit no caderno enquanto o professor passava matéria, e o boletim era um desastre. Fui expulso de cinco escolas e até hoje travo na tabuada do oito. A única coisa em que eu me destacava de verdade era o desenho, e foi isso que eu fui estudar, primeiro quadrinhos na ABRA e depois publicidade.
O computador entrou na minha vida pelo meu tio Mário, que era técnico de Mac. Ganhei um 486, aprendi HTML, depois FrontPage e Flash, e foi ali que juntei as duas coisas de que eu mais gostava.
Só que para pagar as contas eu trabalhava de office boy numa multinacional, e um moleque magrelo, de skate e cabelo roxo, não combinava nada com aquele lugar, muito menos com um plano de carreira que terminava numa mesa de escritório. Pedi as contas, vendi BIP, fiz bico de pintor, até que um conhecido me levou para uma agência que fazia sites. Era a Paintbox, em 1997, e eu nunca mais saí desse mercado.
Entrei como diretor de arte júnior e cheguei a diretor de criação, passando por casas como McCann, W/Brasil, AgênciaClick e a Tribo, que atendia o Grupo Ogilvy. Peguei projeto para fora do país, da Alemanha ao Japão, e ganhei prêmio em Cannes e no Clio.
Quando o e-commerce começou a crescer no Brasil, me mudei para o Rio para ser head de design da Americanas.com, passei pelo Shoptime e depois assumi a mesma função na Netshoes. No varejo, ninguém na reunião queria saber se a tela tinha ficado bonita. Queriam saber se vendeu mais, se diminuiu a ligação no atendimento e se o cliente voltou a comprar, e eu passei a julgar meu próprio trabalho pelas mesmas perguntas.
Depois de tantos anos entre agência e varejo, a rotina me cansou. As madrugadas que eram divertidas aos vinte e poucos viraram obrigação, e o ego de muita gente da área pesava mais do que o trabalho. Tentei abrir agência de site duas vezes, uma com meu pai e outra com um amigo da família, e as duas sociedades acabaram mal.
Então resolvi apostar num negócio físico e montei do zero a Tattoaria, um estúdio de tatuagem. Em menos de dois anos ela faturava em média R$ 400 mil por mês, tinha saído na Veja, no Estadão e no Pequenas Empresas & Grandes Negócios e estava com estúdio montado dentro do Lollapalooza. Eu cuidei do conceito, da marca, do posicionamento e do crescimento, e pela primeira vez cada decisão de design mexia direto no meu bolso. (O case completo está aqui.)
Em 2020 veio a pandemia e fechou tudo. Saí com dívidas e processos para resolver e voltei a trabalhar com design, com a sensação de que tinha ficado tempo demais fora do mercado. Precisava de dinheiro, então passei a aceitar praticamente qualquer projeto, pelo valor que aparecesse.
Num desses trabalhos, um cliente que instalava redes de proteção em janelas e sacadas me pediu três sites para entregar num único fim de semana. Cobrei uns R$ 2.500 pelos três porque precisava do dinheiro. Passei o sábado e o domingo fazendo os sites e entreguei tudo.
Mas aquilo ficou na minha cabeça. Eu já tinha feito projeto para Nike e Embratel, passado por grandes agências, liderado design no varejo e construído meu próprio negócio, e naquele fim de semana estava ali, recebendo um briefing e executando, como se nada dessa experiência tivesse importância.
Depois disso, comecei a repensar a maneira como me apresentava e os trabalhos que aceitava, e fui estudar posicionamento. Passei a mostrar aos clientes o raciocínio por trás de cada decisão e entendi que meu trabalho não podia começar só depois que alguém já tinha decidido o que fazer. Aos poucos os clientes mudaram, e hoje escolho com quem trabalho e cobro o que o projeto vale.
Agora eu entro antes de o briefing estar fechado, ajudo a decidir o que vale a pena construir e depois coloco a mão na massa até o projeto estar no ar. Já estive em reunião em que se decidiu construir a coisa errada e ninguém abriu a boca.
Hoje sou eu quem fala.
Vamos conversar?
Se você tem uma decisão grande para tomar, me chama antes. Depois que tudo está decidido, eu ajudo a consertar, mas aí custa mais caro.
